O pré-diabetes é uma condição em que os níveis de açúcar no sangue estão acima do normal, mas ainda não altos o suficiente para ser considerado diabetes tipo 2. É um sinal de alerta importante.
O que é pré-diabetes?
No pré-diabetes, o organismo já apresenta dificuldade para usar a insulina de forma eficiente. Esse processo é chamado de resistência à insulina. Com o tempo, o pâncreas não consegue compensar essa resistência e os níveis de glicose sobem. Se não houver intervenção, o pré-diabetes pode evoluir para diabetes tipo 2 em poucos anos. Saiba mais sobre resistência à insulina aqui.
Sintomas do pré-diabetes
O pré-diabetes raramente apresenta sintomas claros. Na maioria dos casos, a pessoa não sente nada e só descobre a condição em um exame de rotina. Por isso, os exames periódicos são fundamentais, especialmente para quem tem fatores de risco.
Em alguns casos, sinais sutis podem aparecer:
- Cansaço frequente sem causa aparente
- Aumento da sede e da vontade de urinar
- Visão embaçada
- Dificuldade de cicatrização
- Manchas escuras na pele, especialmente no pescoço e axilas, conhecidas como acantose nigricante
Se você identificar qualquer um desses sinais, procure um médico para avaliação.
Causas e fatores de risco
O pré-diabetes tem origem em uma combinação de fatores genéticos e de estilo de vida. Algumas pessoas têm predisposição hereditária, mas os hábitos do dia a dia pesam muito no desenvolvimento da condição.
Os principais fatores de risco são:
- Sobrepeso ou obesidade, especialmente com gordura concentrada na barriga
- Sedentarismo
- Alimentação rica em açúcar e ultraprocessados
- Histórico familiar de diabetes tipo 2
- Idade acima de 45 anos
- Pressão alta ou colesterol elevado
- Diabetes gestacional em gestações anteriores
- Síndrome dos ovários policísticos
Quanto mais fatores de risco uma pessoa acumula, maior é a chance de desenvolver pré-diabetes e, depois, diabetes tipo 2. Saiba mais sobre diabetes aqui.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico do pré-diabetes é feito por exames de sangue simples. Os mais usados são a glicemia em jejum e a hemoglobina glicada. O médico também pode solicitar o teste oral de tolerância à glicose.
Os valores de referência são:
- Glicemia em jejum: entre 100 e 125 mg/dL indica pré-diabetes
- Hemoglobina glicada: entre 5,7% e 6,4% indica pré-diabetes
- Acima desses valores, o diagnóstico já é de diabetes tipo 2
Por isso, fazer exames de rotina pelo menos uma vez ao ano é essencial para quem tem fatores de risco.
Pré-diabetes tem cura?
Sim, o pré-diabetes pode ser revertido. Diferente do diabetes tipo 2, o pré-diabetes responde muito bem a mudanças no estilo de vida. Estudos mostram que perder entre 5% e 7% do peso corporal e praticar atividade física regularmente reduz em até 58% o risco de progressão para diabetes tipo 2.
Isso significa que a condição não é uma sentença. Com as atitudes certas, é possível normalizar os níveis de glicose e voltar à faixa saudável.
Como prevenir e tratar o pré-diabetes
A base do tratamento do pré-diabetes são as mudanças no estilo de vida. O médico pode indicar acompanhamento com nutricionista e educador físico para orientar as mudanças de forma segura e eficaz.
Alimentação
Reduzir o consumo de açúcar, farinha branca e ultraprocessados é o primeiro passo. Priorizar alimentos integrais, legumes, verduras, proteínas magras e gorduras boas ajuda a controlar a glicose. Fracionar as refeições ao longo do dia também evita picos de açúcar no sangue.
Atividade física
Praticar pelo menos 150 minutos de atividade física por semana já faz diferença. Caminhadas, natação, musculação e ciclismo são boas opções. O exercício aumenta a sensibilidade à insulina e ajuda no controle do peso.
Controle do peso
Perder peso, mesmo que de forma gradual, tem impacto direto nos níveis de glicose. Não é necessário atingir o peso ideal. Pequenas reduções já trazem benefícios reais para quem tem pré-diabetes.
Sono e estresse
Dormir mal e viver sob estresse crônico elevam os níveis de cortisol, hormônio que interfere diretamente na glicose. Por isso, cuidar do sono e adotar técnicas de relaxamento fazem parte do controle do pré-diabetes.
Em alguns casos, o médico pode indicar medicamentos para auxiliar no controle da glicose. No entanto, a mudança de estilo de vida continua sendo o principal pilar do tratamento.
Para saber mais sobre prevenção e controle do diabetes, consulte as diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes.
